Em reportagem da Anfarmag, revista da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais, especialista comentou as áreas que já são beneficiadas com a farmacogenética e como essa ciência torna os tratamentos mais eficazes. O avanço das técnicas para avaliar o DNA humano permite detectar genes que possuem mutações relacionadas às alterações na resposta a medicamentos, como toxicidade ou efeitos colaterais dos medicamentos.

Segundo Rita Estrela, a farmacêutica especialista em Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chafas-Fiocruz, a farmacogenética tem o objetivo de orientar e individualizar a terapia medicamentosa. Com isso, é possível otimizar a resposta aos tratamentos a partir da obtenção de mais eficácia no uso de medicamentos.

A farmacogenética tem esse papel importante no tratamento, pois entre os produtos dos genes estão as proteínas. Elas são fundamentais para o transportedistribuiçãometabolismo e atividade dos medicamentos. Assim, as alterações que ocorrem nos genes podem impactar diretamente nas interações do medicamento no corpo.

Uma das áreas beneficiadas com a farmacogenética apontada por Rita é a oncologia. “A utilização de tiopurinas nos tratamentos de leucemina deve ser acompanhada de avaliação genética da tiopurina metiltransferase (MTMT) do paciente, uma vez que existe risco de toxidade hematopoiética”, explica a especialista.

Outro exemplo é em relação a varfarina, utilizada na cardiologia. A substância pode ter sua resposta alterada por fatores genéticos (CYP2C9, VKORC1) e não genéticos (sexo, idade, tabagismo, peso corporal e interação de medicamentos). O uso de algoritmos que consideram ambos os fatores pode estimar a melhor dose de varfarina para o tratamento.

“A Food and Drugs Administration, há alguns anos, exigiu a inclusão de informações farmacogenéticas na bula de medicamentos registrados nos Estados Unidos. A bula de alguns deles já inclui ações específicas a serem tomadas com base nas informações do biomarcador”, conta a farmacêutica.

 

Psiquiatria: Farmacogenética no tratamento para depressão

De acordo com Rita Estrela, o uso de alguns medicamentos na psiquiatria também tem indicação da avaliação do gene CYP2D6. Em Hong Kong, foi criada uma política de rastreio farmacogenético para testar o alelo HLA-B* antes de prescrever medicamentos antiepilépticos para evitar o uso de carbamazepina naqueles pacientes com alto risco de reações cutâneas graves.

No Brasil, o teste genético já vem sendo aplicado na área. O laboratório GnTech® realiza o exame com foco em doenças do Sistema Nervoso Central, como depressãoansiedadetranstorno bipolarTDAH, entre outras. O teste é indicado tanto para quem vai começar o tratamento quanto para o paciente que utilizou outros medicamentos sem eficácia no ou com efeitos colaterais.

O teste genético da Gntech® analisa 79 medicamentos e 26 genes individuais. O resultado da análise mostra quais medicamentos são os mais indicados para o uso de cada pessoa, os que não devem surtir o efeito esperado, assim como quais devem ter suas doses alteradas e serem usados com atenção.

Confira a edição da Anfarmag na íntegra.

Saiba mais sobre o teste.