O movimento Body Positive (Corpo Positivo, em tradução livre) é um aliado no combate à anorexia e bulimia, especialmente na era digital. Esses transtornos alimentares e de autoimagem são resultados da busca desenfreada para fazer parte de um padrão de beleza rigoroso. Entretanto, a disseminação das ideias do body positive têm contribuído para que muitas mulheres se libertem das amarras da idealização de um corpo perfeito.

O ideal estético apresentado pelas revistas, televisão e cinema é historicamente de um corpo magro, sem estrias ou celulites. Essa foi durante muito tempo a referência de beleza para mulheres. Desde a infância, as meninas sentiam a pressão social para encaixar-se nesse padrão.

Mas é a adolescência que costuma ser a fase mais crítica para a relação com o corpo e que muitas meninas desenvolvem transtornos alimentares. Nos Estados Unidos, por exemplo, a estimativa é de que a anorexia atinge índices entre 2% e 5% das adolescentes, enquanto que a bulimia afeta 1% das mulheres jovens. No Brasil não há dados atuais sobre os distúrbios alimentares.

Com a internet, mulheres de todos os tipos de corpos ganham protagonismo e geram representatividade. Entre elas, muitas adeptas do Body Positive. Mulheres que aprenderam a ter uma visão positiva sobre o seu corpo, driblando a pressão estética e gordofobia.

Diversas criadoras de conteúdo compartilham sua trajetória em busca do amor-próprio e influenciam positivamente o público. O movimento já ganhou força e repercute em mudanças na mídia tradicional. Por exemplo, é cada vez mais comum ver personalidades plus size em capas de revistas. Outro reflexo foi o reposicionamento da marca Barbie, que precisou rever seus produtos para se alinhar com os valores atuais e acrescentou modelos com diferentes corpos.

Como surgiu o Body Positive

Body Positive é um movimento que busca promover a autoaceitação e amor-próprio. A sua primeira onda aconteceu em 1967, em Nova Iorque, com uma campanha contra a discriminação pública de pessoas obesas e pela luta por seus direitos. Mais tarde, passou a exigir também o respeito por pessoas com deficiências, cicatrizes, queimaduras, transgêneros, entre outras características fora do padrão estético.

O objetivo é quebrar a ideia de que existe beleza apenas em um tipo de corpo. Com isso, cada vez mais as pessoas conseguirão enxergar sua própria beleza.

Transtorno Alimentares

O padrão de beleza quase inalcançável é um dos principais motivos que levam ao desenvolvimento de transtornos alimentares como anorexia e bulimia. Essas doenças atingem predominantemente o sexo feminino, entre 12 e 18 anos. Durante essa fase, as meninas enfrentam as transformações hormonais, além da busca por sua identidade própria e aceitação social.

O que é anorexia

A anorexia é um distúrbio que surge de uma obsessão por emagrecer, fazendo com que a pessoa tenha uma distorção de sua própria imagem. Por mais que emagreça, ela seguirá acreditando que precisa perder mais peso.

É comum a prática de dietas extremas e exercícios físicos excessivos. Como consequência, a pessoa com anorexia pode ter desmaios e até mesmo chegar à desnutrição.

O que é bulimia

Assim como a anorexia, a bulimia acontece em decorrência de uma busca exagerada por emagrecimento. Entretanto, pode trazer consequências ainda mais severas à saúde.

A pessoa bulímica pode forçar até três vômitos por dia, acarretando em problemas na garganta e intestino. Além disso, é comum fazer uso de laxantes. Outros sintomas são a perda brusca de peso, falta de menstruação e enfraquecimento da imunidade.

Transtornos alimentares associados à ansiedade e depressão

Além da relação com o corpo, a anorexia e bulimia podem estar associadas à ansiedade e depressão.

No caso de quem sofre transtorno de ansiedade, a pessoa pode buscar a comida como válvula de escape durante as crises. Após episódios em que come de forma compulsiva, ela sente-se culpada e acaba forçando o vômito.

Já quando se trata de depressão existem dois cenários: em um deles a pessoa tem depressão e desenvolve o transtorno em consequência de problemas com a autoestima; de outro lado, a pessoa com bulimia ou anorexia pode acabar se isolando e focando na culpa em relação a comida e ao corpo, levando à depressão.

Tratamento

Independente do caso, é essencial a busca por tratamento. O ideal é combinar a psicoterapia, que dará suporte para o paciente lidar com suas angústias, e o uso de medicamentos.

Por se tratar de situações em que a saúde física e mental estão comprometidas, é importante que o tratamento medicamentoso seja mais rápido e com menos riscos colaterais. Portanto, o teste farmacogenético pode ser um grande aliado.

Esse exame realiza uma análise de como os genes do paciente tendem a interferir na resposta, metabolismo e toxicidade dos medicamentos. Com isso, auxilia o médico para uma prescrição mais assertiva e segura.

Para se inspirar: Elas aderiram ao Body Positive

Alexandra Gurgel

Body Positive é um dos principais temas abordados por Alexandra Gurgel em seu conteúdo na internet. A influenciadora já falou sobre a relação difícil que tinha com o seu corpo e os episódios de depressão. Hoje em dia, tenta incentivar outras pessoas a olharem com mais carinho para si mesmas, seja em vídeos ou posts do Instagram.

Em uma das séries de seu canal, une-se a Bernardo Boëchat, do canal Bernardo Fala, para falar do movimento Body Positive.

Dora Figueiredo

A influenciadora já compartilhou diversos vídeos e fotos falando sobre os problemas de autoimagem que enfrentou e sua luta contra a depressão. Cada vez mais, ela busca promover o empoderamento feminino e aceitação do próprio corpo.

Ver essa foto no Instagram

Esse é o antes e depois que eu quero ver! Vou fazer que nem a @anitta e agradecer a mim mesma por toda a transformação que eu passei em 2019, nessa primeira foto eu me ODIAVA, me sentia feia e “enorme”, cheguei a ouvir de um cara que ele nunca tinha ficado com uma mina “tão gorda”, eu deixava qualquer pessoa me diminuir e me controlar, na segunda foto sou eu feliz finalmente comigo mesma e sim com 20kg a mais e isso não significa que a minha saúde piorou, muito pelo contrário eu nunca fui tão feliz, nunca fiquei tão pouco doente, estou com a minha depressão, ansiedade e transtorno alimentar controlados, eu me vejo como sou: UMA GRANDE GOSTOSA. Continuo sendo uma mina magra e privilegiada, mas agora pelo menos eu não me odeio! Faça você também o seu antes e depois do fim do ano, mas fale da sua saúde mental, do que você evoluiu, se você engordou ou emagreceu isso sinceramente TANTO FAZ. Beijos de luz da tia Dora, vem 2020 que eu tô mais que pronta! #CorpoLivre #Antesedepois #beforeandafter

Uma publicação compartilhada por Dora Figueiredo (@dorafigueiredo) em

Luiza Junqueira

Com o canal do YouTube Tá Querida, Luiza Junqueira tornou-se conhecida na internet por seus vídeos incentivando o amor-próprio e body positive. Mas nem sempre foi assim. Ela já viveu uma fase de dietas loucas, compulsão alimentar e ódio ao próprio corpo. Hoje consegue ser inspiração para muitas meninas amarem suas próprias curvas.

 

Referências:

Viva Melhor , Hospital Sírio Libanês , Incrível Club