Alguns genes podem interferir no desempenho de medicamentos utilizados para o tratamento de doenças cardíacas e vasculares. As doenças do coração representam a principal causa de morte em todo o mundo, ocasionando cerca de 17,9 milhões de mortes por ano. Por isso, é muito importante manter os exames de rotina em dia e ter um bom direcionamento para o tratamento.

O tratamento de doenças cardíacas envolve o uso de fármacos que visam melhorar o desempenho cardíaco. Isso pode acontecer controlando o ritmo cardíaco ou a pressão arterial, reduzindo o colesterol, a coagulação do sangue ou o excesso de líquidos.

A dificuldade em encontrar o melhor tratamento está na forma com as pessoas têm diferentes respostas ao uso de medicamentos. Grande parte dessa variabilidade se deve a fatores genéticos que influenciam na farmacocinética e farmacodinâmica:

- Farmacocinética: forma como o corpo absorve, distribui, metaboliza e excreta o fármaco.

- Farmacodinâmica: mecanismo de ação dos fármacos em geral.

Alguns pacientes, por exemplo, não conseguem obter os efeitos terapêuticos com o uso de fármacos cardiovasculares, incluindo varfarina, clopidogrel, estatinas e betabloqueadores, dentre outros. Outros, apresentam efeitos colaterais intoleráveis ou graves.

Entretanto, atualmente a tecnologia oferece uma ferramenta que pode ajudar a prever como os medicamentos tendem a se comportar no organismo de acordo com dados do DNA da pessoa.

Teste Farmacogenético para doenças cardíacas

O teste farmacogenético é um recurso que surgiu com a Farmacogenética, ramo da ciência que estuda como os genes humanos interferem nos fármacos. O exame analisa o DNA do paciente e indica como ele tende a impactar no metabolismo, resposta e toxicidade dos medicamentos.

Com essas informações, o médico pode direcionar o uso de medicamentos voltados para a cardiologia com uma possibilita maior eficácia e menor risco de desenvolver efeitos adversos associados ao tratamento.

O laboratório brasileiro GnTech produz dois testes farmacogenéticos que abrangem os medicamentos utilizados na área da cardiologia:

CardioGene®

Analisa 33 fármacos, incluindo antiarrítmicos, antianginosos, anticoagulantes, betabloqueadores, diuréticos, estatinas e outros. O exame sequencia 26 genes que podem interferir no desempenho desses medicamentos.

É indicado para quem realiza tratamento de cardiopatia, hipertensão, trombose, aterosclerose, sopro, arritmia, coagulação, AVC e outras doenças cardiovasculares. O teste CardioGene® aponta tendências de como o paciente tende a reagir aos fármacos, auxiliando no manejo de medicamentos e dosagens mais adequadas. É um importante aliado para evitar efeito colaterais e ter uma prescrição mais assertiva.

TotalGene®

Além de todos os benefícios do CardioGene®, o TotalGene® engloba a análise de medicamentos utilizados em outras áreas médicas, como: Psiquiatria, Oncologia e Infectologia. É uma opção mais completa, com 172 fármacos e 60 genes analisados. O laudo oferece um amplo mapeamento genético para guiar o tratamento de diferentes especialidades. Com isso, pode ser um guia utilizado ao longo da vida para prescrições mais seguras e eficazes.

O impacto dos genes no desempenho da varfarina, clopidogrel e sinvastatina

Varfarina para tratamento de doença cardiovascular

A varfarina é um anticoagulante comumente prescrito para tratamento e prevenção de doenças tromboembólicas em pacientes com trombose venosa profunda, fibrilação atrial ou substituição protética da válvula cardíaca. Variações nos genes do paciente que influenciam no metabolismo e na resposta farmacodinâmica estão fortemente associados à efetividade da varfarina.

Clopidogrel para tratamento de doença cardiovascular

O clopidogrel é um agente antiplaquetário prescrito para inibir coágulos sanguíneos que podem levar a ataque cardíaco e acidente vascular cerebral. A resposta ao clopidogrel também é influenciada por variantes no DNA.

Estatinas para tratamento de doença cardiovascular

Por sua vez, as estatinas, a exemplo da sinvastatina, são uma classe de fármacos utilizados na prevenção e tratamento de doença cardíaca aterosclerótica coronariana e acidente vascular cerebral isquêmico. A farmacodinâmica e a farmacocinética das estatinas foram correlacionadas com 13 genes, que afetam a segurança e eficácia do seu uso.

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