Há quem acredite que uma pessoa com sucesso e segurança financeira não teriam depressão. Ou que uma pessoa engraçada e rodeada de amigos não desenvolveria o transtorno. Porém, qualquer indivíduo está sujeito a fazer parte deste grupo de mais 300 milhões de pessoas com depressão no mundo.

Muitos famosos já compartilharam sua luta contra o transtorno e formas que encontraram para vencer os sintomas.

Jim Carrey usa arte para lidar com a depressão

O ator famoso pela atuação em grandes clássicos da comédia como O Máskara e Ace Ventura é um dos grandes nomes do cinema que já falou sobre sua luta contra a depressão. Em 2004, Jim Carrey falou pela primeira vez sobre seu diagnóstico em uma entrevista à CBS News.

Desde então, o ator vive com altos e baixos da doença. Ele buscou na arte uma maneira para lidar com suas dores. São inúmeros os quadros que pintou, repletos de cor.

Em 2017, ele lançou o documentário I Needed Color, onde conta um pouco de seu processo criativo e como a arte tem ajudado a lidar com o transtorno. “Eu não sei o que a pintura me ensina”, aponta Carrey durante o documentário. “Eu só sei que ela me liberta – fico livre do futuro, livre do passado, livre do arrependimento, livre de preocupações”, conta.

Jornalista Mariana Ferrão conta como a meditação ajudou a superar a depressão

A jornalista ex-apresentadora do programa Bem-Estar da Rede Globo, contou em uma palestra no TEDx sobre sua relação com a depressão. Neta de psiquiatra e filha de psicanalista, ela teve ainda na adolescência um quadro de síndrome do pânico e depressão.

Depois em enfrentar um período difícil, com pensamentos suicidas, ela tentou seguir o conselho da mãe: “Se você não quiser se ajudar, ninguém vai conseguir te ajudar”. Assim, iniciou a terapia e uso de medicamentos, voltando aos poucos à sua versão saudável.

Mas mais tarde, durante a gravidez, a depressão voltou. Ela conta que a meditação foi essencial para lutar novamente contra a doença e evitar novas recaídas.

Bruna Marquezine teve distúrbio de imagem e depressão

Em 2018, a atriz Bruna Marquezine abriu o jogo nas redes sociais falando sobre depressão e problemas de autoimagem. Ela optou por compartilhar que havia enfrentado esses problemas, depois de receber uma série de comentários em suas fotos do Instagram, falando que ela estaria “magra demais”.

Ela contou que mais jovem passou a ter distúrbio alimentar depois de lidar com comentários de que estaria “gordinha”. Paralelo a isso, desenvolveu a depressão. “Comecei a ficar assustada, minha depressão também avançando, comecei a tomar atitudes que começaram a me assustar e fui atrás de ajuda. Não tive força pra ir atrás de ajuda sozinha. Minha família começou a perceber, e pouquíssimos amigos entenderam o que estava acontecendo.”

Ela começou a fazer terapia, ela conseguiu recuperar a saúde física e mental. Hoje, tenta se blindar dos comentários, mas ressalta que as pessoas não deveriam opinar sobre os corpos alheios.

Em uma entrevista com Gio Ewbank, Bruna Marquezine falou da repercussão nas redes sociais sobre seu depoimento e de como foi enfrentar os transtornos psicológicos.

Cantora Demi Lovato recupera-se depois de overdose em 2018

Demi Lovato começou sua carreira na Disney ainda criança. A cantora cresceu sob os holofotes da indústria musical e muito jovem passou a ter problemas com automutilação, dependência química e distúrbios alimentares. Em 2011, foi diagnosticada com transtorno bipolar.

Em documentários e entrevistas, Demi Lovato falou sobre a bipolaridade. “Isso é algo que é verdade, eu sou bipolar. Mas não gosto quando as pessoas usam isso como rótulo. Isso é algo que eu tenho, e não o que eu sou”, afirmou Demi em entrevista ao programa Label Defiers, da iHeart Radio.

Em 2018, depois de 6 anos de sobriedade, a cantora teve uma recaída e preocupou os fãs ao ser internada depois de uma overdose. Ela ficou um ano afastada em tratamento e retomou a carreira em 2020.

A música mais recente, I Love Me, fala de suas batalhas, sobre seu comportamento muitas vezes auto-destrutivo e a busca amor-próprio.

Sucesso no mundo das finanças, Nathalia Arcuri demorou a reconhecer a depressão

Nathalia Arcuri é uma das principais influenciadoras de finanças e empreendedorismo. Mas quem vê sua história de sucesso, não imagina que ela já enfrentou transtorno alimentar e depressão.

Em um vídeo em seu IGTV, ela contou que fez ginástica olímpica na infância. Com o seu perfil muito autocrítico, que se cobra demais, a experiência acabou não sendo positiva. Ela passou a pular refeições e tomar shakes para emagrecer, depois de receber alguns comentários na escola sobre seu corpo, que era musculoso por causa do esporte. Com alguns tratamentos alternativos, conseguiu superar a anorexia.

Mas aos 15 anos surgiram os episódios depressivos. Na época ela não sabia que se tratava de uma doença e não conseguiu pedir ajuda familiar. Mesmo sem acompanhamento profissional, ela conseguiu passar pela crise.

A doença voltou com força durante uma fase estressante no trabalho. Entre os sintomas estava falta de memória e pensamentos negativos persistentes. Ao buscar ajuda profissional, descobriu o diagnóstico e realizou o tratamento com psicoterapia e medicamentos.

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“Nossa, mas você já teve depressão? Mas você é tão alegre?” Vi que as pessoas ficaram chocadas quando comentei isso no post de ontem e me senti livre pra fazer esse vídeo. Depressão não tem nada a ver com felicidade e alegria. É como você dizer que a pessoa com diabetes não pode ser feliz. A nossa cabeça esconde grandes mistérios e a depressão é um deles. Ninguém nunca soube que eu tive, nem eu! A depressão ficava tão dentro da minha cabeça e eu me sentia tão mal pelos pensamentos que eu tinha que eu fingia que não era comigo. Era uma luta interna diária somada à luta externa de produzir, performar, crescer, ser boa filha, esposa e funcionaria. Tive anorexia aos 9 anos e no vídeo eu conto como aconteceu. As fotos são terríveis. E com a ajuda da minha mãe conseguimos me livrar daquilo. Com a depressão foi diferente. Ela não trazia sintomas visíveis como a perda de peso. Minha primeira depressão não diagnosticada foi ao 13 anos. Só entendi que era depressão depois que comecei a terapia. Minha família tem depressão há algumas gerações, o que mostra que existe um viés genético. Médicos poderão falar mais sobre isso e as descobertas mais recentes. O meu papel aqui é que você descubra que o que você tem é tratável. Você não é fraca por precisar de ajuda. Mente sã, bolso são. Já dizia Nathália Arcuri kkk Se eu não tivesse procurado ajuda clínica talvez não estaria aqui hoje te ensinando a fica rica! Se esse vídeo te ajudou, comenta com o @ de quem pode precisar também. Ps: Esse não é um tema que faz parte da minha especialidade, mas como alguém que venceu a depressão e a anorexia to aqui pra mostrar que você é capaz de tudo quando tem a ajuda certa. #vida #depressao #depressãonãoéfrescura #ricasnessaencarnacao

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Como tratar a depressão?

Uso de medicamentos no tratamento de depressão

A depressão provoca alterações na neurotransmissão, processo que envolve diversas substâncias, como a dopamina, serotonina e noradrenalina. A doença interfere em como se dá o processo de transmissão e recepção das células nervosas, afetando o bem-estar do paciente.

Esse desequilíbrio químico cerebral é tratado com os antidepressivos, que buscam retomar a regularidade do funcionamento do cérebro. O psiquiatra é quem vai definir a necessidade do medicamento, qual utilizar e em que dosagem.

Até pouco tempo, a prescrição de fármacos para tratamento de depressão era realizada apenas na tentativa e erro. Com isso, muitos pacientes sofriam com efeitos colaterais e, por vezes, precisavam de muitas tentativas para encontrar o medicamento mais eficaz para seu caso. Mas hoje os psiquiatras contam com o teste genético para prescrever o tratamento de forma mais segura e eficiente.

O teste farmacogenético é um exame que, através do sequenciamento genético, analisa como os genes do paciente interferem no metabolismo, resposta e toxicidade dos medicamentos. Consequentemente, ajuda prever como a pessoa deve reagir a cada fármaco, possibilitando mais assertividade na prescrição médica.

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A psicoterapia para tratar o transtorno depressivo

Alguns estudos de psicologia apontam que existe uma tendência nos pensamentos de quem sofre depressão que pode contribuir com a manutenção da doença. Trata-se, normalmente, de pensamentos negativos em relação a si mesmo, ao ambiente ao redor e ao futuro. Com isso, o paciente assume uma postura negativa e “hipergeneralizada”, encarando negativamente todas as situações.

Como resultado dessas observações, surgiu a terapia comportamental-cognitiva. Nela, o psicólogo trabalha para corrigir os pensamentos do indivíduo deprimido. Ao mesmo passo, procura-se estimular atitudes que vão de encontro às ideias negativas para que o paciente vença essa barreira.

Portanto, a atuação do psicólogo ou psicoterapeuta no tratamento para depressão tem o objetivo de auxiliar o paciente a entrar em contato com suas angústias profundas para aprender a lidar com elas.

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