De 2007 até junho de 2018, foram notificados no Sinan 300.496 casos de infecção pelo HIV no Brasil. A falta de informação e conscientização sobre o Vírus da Imunodeficiência Humana levam a uma nova onda de casos. Por outro lado, os avanços no tratamento desde o final dos anos 1990 permitiram o desenvolvimento de medicamentos que conseguem levar os pacientes a uma carga viral indetectável.

Mas o que significa um portador de HIV possuir a carga viral indetectável? Trata-se de pacientes que, após iniciar o tratamento, conseguem que a carga do vírus fique tão baixa na corrente sanguínea que deixa de ser detectável em exames. A pessoa segue com o vírus, pois ainda não há cura, mas deixa de transmitir, por exemplo, através do sexo desprotegido.

Quando o soropositivo possui a carga viral zerada, apesar de o HIV continuar no corpo, as chances de desenvolver outras infecções facilitadas pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida são menores. Com isso, aumenta a expectativa de vida do paciente e é possível viver de uma forma saudável.

O fato que soropositivos indetectáveis não transmitem o HIV em relações sexuais foi constatado após três grandes estudos, realizados entre 2007 e 2016 com milhares de casais. Cada casal era formado por uma pessoa vivendo com HIV (mas com carga viral indetectável) e uma pessoa soronegativa (sem HIV).  Os estudos mostraram que não houve transmissão sexual do HIV. 

Confira o vídeo do médico Jairo Bauer sobre HIV Indetectável para saber mais sobre o tema:

 

Qual o tratamento de HIV para zerar a carga viral?

O tratamento antirretroviral (tratamento do HIV), permite às pessoas que vivem com o vírus levar uma vida saudável. Trata-se de alguns medicamentos que a pessoa com HIV precisa tomar para o resto da vida, sendo um tratamento contínuo.

Seguindo a prescrição de forma adequada, é possível viver tanto tempo quanto uma pessoa que não tem o vírus. A longevidade é muito semelhante. 

Segundo o UNAIDS, “com a escolha certa de medicamentos antirretrovirais, os níveis virais cairão ao longo de vários meses para níveis indetectáveis e permitirão que o sistema imunológico comece a se recuperar”. Não é possível estimar quando tempo de tratamento é necessário para zerar a carga viral, podendo variar de um paciente para outro. Realizar os testes regularmente é essencial tanto para descobrir se está indetectável quanto para verificar se o nível se mantém ao longo do tempo.

O acesso ao tratamento antirretroviral é essencial para que as pessoas que têm o vírus tenham qualidade de vida. O fato do paciente zerar a carga viral está diretamente ligado ao tratamento. Ou seja, se os medicamentos não forem usados continuamente, da forma correta, o vírus pode voltar a se multiplicar no organismo.

 

O tratamento de HIV a partir do Teste Farmacogenético

Apesar do inegável benefício do tratamento antirretroviral, é possível que a pessoa sofra com alguns efeitos adversos. Como o tratamento é contínuo, é importante buscar as melhores opções para que a qualidade de vida do portador de HIV não seja comprometida.

O teste farmacogenético pode ser uma alternativa para tornar o tratamento mais seguro e evitar, por exemplo, a sobrecarga de órgãos devido aos medicamentos. O exame analisa como os genes do paciente interferem nos principais medicamentos utilizados no tratamento de HIV em relação à resposta, metabolismo e toxicidade. Com isso, indica ao médico quais fármacos e dosagens tendem a ser mais adequados, de forma personalizada.

No Brasil, a GnTech® é referência em testes farmacogenéticos. O exame é adquirido de forma on-line e pode ser realizado de qualquer lugar do país. Duas opções analisam os medicamentos do tratamento antirretroviral:

 

TotalGene®

O TotalGene é a versão mais completa do teste farmacogenético, analisando 175 fármacos e 60 genes. Ele é indicado para quem quer ter uma base personalizada de dados, guiando vários tratamentos para quem enfrenta doenças com especificidades diferentes. Abrange medicamentos das áreas de Psiquiatria, Cardiologia, Oncologia, Infectologia, entre outras.

 

InfectoGene®

O InfectoGene® é focado na análise de antivirais, antibióticos, antifúngicos e antiparasitários, contemplando diversas doenças infecciosas. Ele contribui para a assertividade na escolha dos medicamentos, buscando evitar efeitos colaterais e a sobrecarga em alguns órgãos. A análise contempla 6 genes e 23 fármacos.

 

Clique e saiba mais sobre os testes farmacogenéticos.

As associações farmacogenéticas dos nossos testes farmacogenéticos são construídas a partir de evidência científica sólida, disponibilizada em fontes oficiais como o Banco de Conhecimento Farmacogenômico (PharmGKB), diretrizes clínicas emitidas por sociedades profissionais (e.g. Consórcio de Implementação de Farmacogenética Clínica- CPIC®) e as bulas aprovadas por órgãos como a Administração de como a ciência e a tecnologia deram origem a farmacogenética e, posteriormente a GnTech.

 

Dados do HIV no Brasil

Dia 1º de dezembro é Dia Mundial de Combate à AIDS, data do calendário dedicada à conscientização sobre o vírus e a doença. Segundo relatório do Ministério da Saúde, só em 2018 foram notificados 43.941 casos de infecção pelo HIV no Brasil. Desses, 37,7% foram na região Sudeste, 24,6% no Nordeste, 17,8% no Sul, 11,6% no Norte e 8,2 no Centro-Oeste.

A maior concentração dos casos de AIDS no Brasil foi observada nos indivíduos com idade entre 25 e 39 anos, em ambos os sexos. O crescimento de infecções entre os mais jovens é preocupante e reflete a falta de informação a respeito do vírus e da doença entre as novas gerações, que não viveram a explosão de casos e óbitos do início da epidemia de AIDS.

Há também uma banalização por parte da população, que por existir um tratamento eficaz, acredita que não é mais preciso se preocupar com a transmissão. Apesar dos avanços e de ser possível alcançar a carga viral indetectável, trata-se de uma doença sem cura, que requer tratamento contínuo e cuidados.

O gráfico mostra que o número de óbitos devido a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida vem caindo a cada ano, assim como o número de casos. Do total de casos no Brasil registrados de 1980 a 2019, o sexo masculino corresponde a 52,4% deles, enquanto as mulheres representam 48,4% dos casos.

É preciso celebrar as vidas salvas com os avanços da medicina nas últimas décadas. Porém, seguir com medidas educativas sobre a prevenção. Pensando nisso, a UNAIDS criou a Meta 90 90 90 para que os países se comprometam na redução da epidemia de HIV no mundo.

A meta aponta que 90% das pessoas vivendo com HIV farão o teste e descobrirão o diagnóstico. Dessas, 90% receberão a terapia antirretroviral de modo contínuo e delas, 90% chegarão a carga viral zero. "Essa estratégia seria a chave do controle da epidemia, mas o Brasil não vai alcançar isso este ano", afirma a infectologista do Hospital Escola Hélvio Auto Mardjane Lemos, de Alagoas. É preciso ampliar a discussão e as campanhas de conscientização.

Saiba mais sobre a nova onda de casos de HIV e porque jovens são protagonistas entre os novos casos com o vídeo do Dr. Drauzio Varella:

 

Referências:

Ministério da Saúde, UNAIDS, Viva Bem, Hilab.