A maioria das pessoas aprendem com o tempo que um remédio é melhor do que outro, este tipo de variação pode acontecer com muitos medicamentos.

Farmacêuticos, médicos e pesquisadores tentaram entender por décadas o motivo da mesma medicação com a mesma dose funcionar bem para umas pessoas e para outras não. A dosagem é outro fator que também pode gerar efeitos adversos para alguns pacientes.

Existem inúmeros fatores que contribuem para essas diferenças, como idade, se está tomando outro medicamento, o bom funcionamento dos rins e se as pessoas são fumantes, por exemplo.

Os genes influenciam na maneira como metabolizamos os medicamentos:

Ao entender como as diferenças genéticas podem interagir nos mais distintos tratamentos, os médicos podem prescrever, de forma personalizada, a melhor medicação e dosagem para aquele indivíduo. Isso é farmacogenética, ciência que estuda as variações genéticas relacionadas a medicamentos específicos.

Esse tipo de tratamento é um exemplo da medicina de precisão, que está sendo apontada como parte importante do futuro da prática clínica, conforme citado pelo site Conexão Seguros Unimed (Leia a matéria).

Os testes mais atuais procuram variações nos genes que influenciam tanto o metabolismo quanto a resposta e a toxicidade dos medicamentos. Por exemplo, para os fármacos que já estão em sua forma ativa, que tem um efeito imediato no corpo, as enzimas no fígado quebram a droga para deixa-la inativa, para que o corpo possa descarta-las. Quando a enzima que faz essa quebra não funciona devidamente, o corpo não se livra da droga de forma eficiente e isso pode acarretar em um acúmulo do remédio em seu corpo, o que pode resultar em efeitos colaterais graves. Outras drogas são consumidas de forma inativa e são quebradas no fígado para ficarem em sua forma ativa. As enzimas no fígado que fazem essa quebra são essências no processo. Para essas medicações, quando as enzimas não fazem o seu trabalho, a droga não pode ser convertida em sua forma ativa.

Essas diferenças no processo de quebra das drogas influenciam no processo terapêutico de um mesmo medicamento, agindo de formas diferentes para cada pessoa. As variações de genes são comuns na população e algumas delas indicam a forma como melhor administrar os medicamentos para cada paciente.

Variações genéticas na escolha da medicação

Variações genéticas de crianças com leucemia são testadas para analisar a quebra de uma droga chamada thiopurines. Esta droga é muito usada no tratamento de crianças com leucemia e são consumidas na sua forma ativa.

Se os testes revelarem que as enzimas que fazem a quebra e o descarte dos medicamentos não forem efetivas, as crianças recebem um décimo da dosagem normalmente prescrita. Essa pequena fração dará a elas os mesmos benefícios daqueles que recebem a dosagem conforme a bula. Em casos como esses, as variações genéticas podem ser analisadas para modificar a dosagem de uma mesma medicação dependendo do genótipo de cada paciente.

Para as drogas que são convertidas em ativas pelo fígado, as variações genéticas podem significar que esta pessoa precisa tomar um tipo diferente de medicação.

Essas são apenas alguns exemplos do potencial do uso de informações genéticas para guiar a terapia com drogas.

A GnTech tem como intuito levar informação e esclarecimento sobre a utilização da genética humana em benefício da saúde e do bem-estar das pessoas.

Para saber mais sobre testes genéticos e como eles podem vir a auxiliar no tratamento clínico dos pacientes, entre em contato conosco. Caso tenham dúvidas pontuais sobre o artigo ou queiram enviar sugestões de conteúdos sobre genética, comentem o nosso post que ficaremos felizes em respondê-lo.


 REFERÊNCIAS

Julie A Johnson NOV 2015 Artigo: How your genes influence what medicines are right for you. Disponível em: https://theconversation.com/how-your-genes-influence-what-medicines-are-right-for-you-46904