Metabolizador normal

As pessoas que possuem dois alelos normais ou tipo selvagem são denominadas de metabolizadores normais (67% da população), pois não apresentam variantes alélicas que possam alterar drasticamente a biotransformação dos fármacos. Para essas pessoas são recomendadas as doses padrões a serem usadas de cada medicamento, indicadas nas bulas dos mesmos. Assim prescritas, essas doses farão o efeito esperado em seu organismo. Nota-se que um indivíduo comumente é portador de alguns genes normais e outros genes com presença de variantes. Todas essas combinações são avaliadas pela GnTech para a elaboração dos laudos.

Metabolizador pobre ou metabolizador lento

Nesse caso, a pessoa é portadora de dois alelos com variantes que, geralmente, reduzem ou abolem a atividade da enzima (17% da população), o que pode levar a um aumento dos níveis plasmáticos do fármaco, aumentando os riscos de efeitos adversos ou reduzindo a ativação de um pré fármaco. Nesses casos, um ajuste para doses reduzidas pode ser considerado de maneira a aproveitar ao máximo os efeitos terapêuticos, evitando os efeitos adversos.

Metabolizador intermediário

Nesse caso, a pessoa é portadora de variação nos alelos  que codificam enzimas metabolizadoras dos medicamentos (12% da população). Geralmente, a atividade do alelo variante é mais reduzida do que nos metabolizadores normais; eles são heterozigotos para um alelo deficiente ou carregam dois alelos que causam redução da atividade da enzima. Nesses casos, ajustes de doses nos medicamentos podem ser necessários.

Metabolizador ultrarrápido

Os metabolizadores rápidos (8% da população) possuem alelos que produzem enzimas com elevada atividade ou apresentam cópias extras de alelos (ex.: duplicações ou triplicações do gene). Nessas pessoas, o medicamento é metabolizado tão rapidamente que, em doses normais, praticamente não tem tempo de exercer o seu efeito terapêutico completo, pois não alcançam dosagem sérica suficiente. O ajuste da dose tem transformado muitos desses pacientes “resistentes ao tratamento” em bons respondedores ao tratamento, devido aos testes farmacogenéticos que personalizam as terapias.

Nos testes farmacogenéticos da GnTech os medicamentos são classificados de acordo com o genótipo (características) do paciente em três diferentes classes:

Usar conforme a bula - Nessa classe estão indicados os medicamentos que não sofrem influencia genética do paciente. Não havendo necessidade de ajuste de dose fora dos protocolos farmacológicos, a dose seria a dose padrão indicada na bula e os riscos de efeitos adversos seriam os previstos nas bulas dos medicamentos.

Usar com atenção - Nessa classe estão indicados os medicamentos que sofrem uma influência moderada das variantes genéticas caracterizadas no paciente. Há aumento dos riscos de efeitos adversos, alteração da resposta e/ou alterações de concentrações séricas do fármaco. A prescrição médica deve levar em consideração as orientações das legendas publicadas no resultado.

Usar com cautela e atenção - Nessa classe estão indicados os medicamentos que sofrem uma influência alta das variantes genéticas caracterizadas no paciente. Há alterações de concentrações séricas (concentrações de uma substância no sangue) dos fármacos, alterações de resposta e/ou riscos elevados de efeitos adversos. A prescrição médica deve levar em consideração as orientações das legendas publicadas no resultado.

Hoje, os avanços tecnológicos recentes têm melhorado muito a perspectiva de aplicação do conceito de medicina de precisão. Exemplos de sucesso incluem os planos de saúde e de seguro nos EUA que estão cobrindo os testes farmacogenéticos, devido aos seus benefícios tanto econômicos (redução de gastos em consultas, medicamentos e faltas ao trabalho devido a licenças médicas), bem como no aspecto de um tratamento mais assertivo, alcançado pelos clínicos de um modo geral. A GnTech também já teve casos no Brasil de reembolso dos testes farmacogenéticos por planos ou seguros de saúde. Os testes oferecidos são capazes de ajudar os clínicos a predizer respostas aos fármacos a serem utilizados em muitos tratamentos, tais como depressão, ansiedade, epilepsia, psicoses, TDAH, dor crônica, câncer, pressão arterial, anticoagulantes, entre outras.


 REFERÊNCIAS

Souza, C.A., 2013 Farmacogenômica: Janela à medicina personalizada. Psychiatry on line Brasil. Agosto; vol.  18(8). Disponível em http://www.polbr.med.br/ano13/art0813.php.

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Gurwitz D, Rehavi M. Pharmacogenetics: toward personalized medicine. Harefuah. 2005 Oct; 144(10): 711-6

Laika B, Leucht S, Heres S, Steimer W. Intermediate metabolizer: increased side effects in psychoactive drug therapy. The key to cost-effectiveness of pretreatment CYP2D6 screening? Pharmacogenomics J. 2009 Dec; 9(6): 395-403.

Steimer W, Zöpf K, von Amelunxen S, Pfeiffer H, Bachofer J, Popp J et al. Amitriptyline or not, that is the question: pharmacogenetics testing of CYP2D6 and CYP2C19 identifies patients with low or high risk for side effects in amitriptyline therapy. Clin Chem. 2005 Feb; 51(2): 376-85.

Rau T, Wohlleben G, Wuttke H, Thuerauf N, Lunkenheimer J, Lanckik M, Eschenhagen T. CYP2D6 genotype: impact on adverse effects and nonresponse during treatment with antidepressants – a pilot study. Clin Pharmacol Ther. 2004 May; 75(5):386-93