Desde o início da pandemia, diversos países relatam casos de suicídio relacionados aos impactos da crise do coronavírus. O isolamento social, medo da contaminação e problemas financeiros aumentaram os casos de ansiedade, depressão, estresse e insônia na população em geral.

Segundo alguns estudos, alguns grupos são mais vulneráveis a enfrentar transtornos psicológicos relacionados ao estresse do momento e ideações suicidas. Entre eles estão pessoas com distúrbios psiquiátricos pré-existentes, pessoas vivendo em áreas de alto risco de contaminação por COVID-19 e pessoas que perderam algum amigo ou parente por causa do vírus.

A conexão social é fator crucial para saúde emocional e estabilidade social. Desde o início da pandemia no Brasil, as organizações de saúde aconselham o isolamento social para evitar a contaminação. Quem segue as orientações, está há cerca de cinco meses sem o convívio com amigos e família e sente, em algum grau, a ausência da vida social.

Outro aspecto importante é o acompanhamento psicológico de quem enfrentou quadros graves de COVID-19. Na China, 96,2% dos pacientes que se recuperaram da doença tiveram sintomas de estresse pós-traumático.

Quem se contamina durante uma epidemia sente alguns medos, como de infectar outras pessoas, dos sintomas da doença e da internação hospitalar. Isso pode levar a quadros de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

O impacto de epidemias anteriores nos números de suicídio

O cenário da pandemia de COVID-19 é muito novo. Muitos especialistas lançam um olhar sobre o passado para buscar dados e entender o que o mundo está vivendo.

Desde a Gripe Espanhola (1918-1919), o mundo não vivia uma tragédia na saúde da magnitude da pandemia de COVID-19. A epidemia do século XX infectou cerca um terço da população mundial. Além das pessoas que contraíram Gripe Espanhola, outro problema na época foi o aumento no número de suicídios, relacionados ao medo da doença e o período de isolamento.

Em 2003, durante a epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na Ásia, também houve um aumento nos números de suicídio, especialmente entre pessoas acima de 65 anos. Um terço dos casos de suicídio na época foram de pessoas que estavam vivendo em isolamento social.

Pesquisas indicaram que os casos eram atribuídos ao medo de contrair a doença, medo de ser um fardo para família, ansiedade generalizada, isolamento social e estresse psicológico.

Suicídio: Sinais para ficar alerta

O comportamento suicida geralmente está relacionado a condições psiquiátricas. Isso inclui distúrbios de humor, ansiedade, sono e uso de substâncias. Estudos dos Estados Unidos indicam que mais de 90% dos suicídios estão associados a distúrbios psiquiátricos.

Isso inclui não só pacientes em tratamento psicológico como um grande número de pessoas que possui transtornos, mas não tem o devido acompanhamento profissional. Um estudo internacional indicou que 32,2% dos quadros de esquizofrenia, depressão maior e alcoolismo da Europa e Américas do Norte e do Sul não recebem tratamento.

Então, se a pessoa enfrenta doenças como depressão, ansiedade e bipolaridade, vale prestar ainda mais atenção em como ela está lidando com o atual cenário. Outros pontos de alerta são:

- Episódio traumático, como perda de alguém próximo,

- Fatores estressores, como problemas financeiros,

- Falar excessivamente sobre morte e sinalizar desesperança,

- Isolamento, sem responder mensagens ou interagir em redes sociais.

O que fazer para prevenir um suicídio

Se você tem ideias suicidas...

1. Não tenha vergonha:

Os pensamentos suicidas rondam a mente de muitas pessoas que estão à nossa volta e, na maioria das vezes, nem sabemos disso. Por esse motivo não sinta vergonha e nem ache que está sozinho por ter esses sentimentos.

Para isso, é importante cultivar a aceitação, lembrando que ninguém é perfeito, e que qualquer pessoa pode melhorar e progredir em todas as áreas da vida, com dedicação e foco no que de fato importa.

2. Busque ajuda:

Quando os pensamentos suicidas dominam a mente, é comum acreditar que ninguém pode ajudar e que colocar fim à própria existência seria uma solução para isso. Porém, você deve combater essa crença, procurando ajuda adequada entre amigos, familiares e, especialmente, profissionais da saúde.

Em um primeiro momento, busque pessoas de confiança e abra seu coração para contar sobre seus sentimentos. Embora elas nem imaginam o tamanho de seus conflitos, poderão ajudar você a acreditar que há esperança em meio aos problemas, bem como a encontrar um tratamento médico seguro e eficaz.

Psicólogos e psiquiatras são importante para conseguir tratar e lidar com os sintomas. A psicoterapia auxilia a lidar com as angústias e o uso de medicamentos tem como objetivo controlar os sintomas. O teste farmacogenético pode ser um aliado para tornar o tratamento mais eficaz e com menos riscos de efeitos colaterais.

Saiba mais sobre o que é o teste farmacogenético e como ele pode ajudar no tratamento de depressão e ansiedade.

3. Acredite que há solução

Acredite na sua própria capacidade e na força que tem para vencer os problemas que enfrenta nesse momento. Fazer um plano de ação para sua vida é a ferramenta ideal para encarar os desafios diários.

Estabeleça metas de curto, médio e longo prazo para cada um dos problemas, dessa forma, os conflitos serão enfrentados por etapas e as soluções aparecerão de forma mais clara. Além disso, as pessoas de sua confiança podem auxiliar na solução das tarefas diárias, o que favorece o sentimento de confiança e afasta os pensamentos suicidas que geram desânimo.

4. Conheça histórias de pessoas que superaram episódios de depressão

Estar ciente que outras pessoas já enfrentaram as dificuldades como aquelas que você tem passado e conseguiram superar é uma excelente forma de constatar que os problemas não durarão para sempre, e que medidas radicais não são necessárias para resolvê-los.

Saiba mais sobre o que é o teste farmacogenético e como ele pode ajudar no tratamento de depressão e ansiedade.

Se você conhece alguém que pode estar passando por isso...

1. Se mostre disponível

Mostre seu apoio e que você está disponível para conversar. Busque ouvir a pessoa com a mente aberta e sem julgamentos.

2. Incentive a buscar ajuda profissional

Tente mostrar a importância de buscar ajuda profissional. Com o acompanhamento e tratamento é possível encontrar uma saída.

3. Proteja a pessoa

Se existe algum perigo imediato, não deixe a pessoa sozinha. Procure assegurar-se de que ela não tenha meios para tentar suicídio, como armas de fogo ou medicamentos.

4. Indique o CVV

O Centro de Valorização da Vida (CVV) trabalha para oferecer suporte emocional e realizar a prevenção do suicídio. A organização é reconhecida como Utilidade Pública Federal desde a década de 1970. 

Voluntários ficam à disposição 24 horas para oferecer atendimento pelo telefone 188 ou pelo chat online no site. O atendimento é anônimo e realizado por voluntários que guardam sigilo.

Depressão e Setembro Amarelo: Como você pode ajudar a salvar vidas

Referências:

The impact of the COVID-19 pandemic on suicide rates. Leo Sher. QJM: An International Journal of Medicine, 2020.