Em 8 de abril é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, data dedicada a ressaltar a importância da prevenção e realização de exames periódicos que possam detectar cedo qualquer tumor.

A doença é séria e atinge milhares de brasileiros todos os anos. Por isso, a tecnologia e a ciência buscam cada vez mais ferramentas inovadoras para tornar o tratamento mais rápido e eficaz.

Quando se trata de oncologia, existem vários desafios para o tratamento. Por exemplo, a margem da dosagem para se ter feito esperado e não gerar efeitos colaterais é muito pequena. Além disso, existe alta incidência de reações adversas graves e uma grande variação na resposta aos medicamentos. Mas o teste farmacogenético tem sido muito útil para guiar os tratamentos da área.

Teste Farmacogenético para oncologia: aliado no combate ao câncer

O teste farmacogenético é um exame que analisa como os genes do paciente interferem no desempenho dos diferentes medicamentos. A tecnologia que identifica quais medicamentos tendem a ser mais eficazes de forma individualizada, é utilizada também por outras áreas da medicina, como cardiologia e psiquiatria.

Em relação ao tratamento oncológico, o exame analisa diferentes quimioterápicos e ajuda o médico a prever quais tendem a ser mais seguros e eficazes. Com isso, o tratamento fica mais rápido e seguro, o que faz toda diferença para quem luta contra um câncer.

Antes dessa tecnologia, a única forma de prescrever um tratamento para o câncer era com o método de tentativa e erro. Dessa forma, o paciente poderia ficar sujeito a uma terapia que não tivesse o efeito esperado, sofrer com efeitos colaterais e perder um tempo precioso na luta contra a doença.

O exame fornece uma série de informações para o médico, tornando o tratamento mais preciso. O uso clínico da informação genética possibilita reconhecer pacientes com maiores chances de falha terapêutica ou desenvolvimento de reações adversas, e permite a escolha do fármaco e dosagem mais segura para cada indivíduo.

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Onde fazer o teste farmacogenético oncológico no Brasil

No Brasil, a Gntech realiza o teste farmacogenético. O laboratório faz o sequenciamento genético e análise de 15 medicamentos usados no tratamento de câncer, ente eles estão antineoplásicos, imunossupressores e antiméticos.

Ainda, diferente dos testes que analisam variações somáticas e utilizam métodos invasivos como a biópsia, o teste farmacogenético da Gntech detecta variações germinativas a partir de amostra de células colhidas por um simples swab bucal (espécie de cotonete).

O teste farmacogenético também pode ajudar a identificar pacientes que carreguem risco de ineficácia de tratamentos auxiliares, como os antieméticos. Esses fármacos buscam reduzir alguns dos efeitos colaterais do tratamento quimioterápico e variações genéticas foram identificadas como relevantes à sua eficácia. Com a informação genética, médicos podem guiar ajustes de dose ou selecionar fármaco alternativo de forma a melhorar a qualidade de vida do paciente.

A Gntech deve começar a comercializar o exame nos próximos meses.

Os efeitos colaterais da quimioterapia

Dentre as diversas especialidades médicas, a oncologia está entre as que lidam com as maiores dificuldades no manejo de medicamentos. A quimioterapia clássica tem como mecanismo fundamental a inibição não-seletiva da proliferação celular, para que o câncer não aumente ou se espalhe.

A maior parte dos alvos moleculares sobre os quais os quimioterápicos atuam estão também presentes em células saudáveis do corpo. Isso faz com que não aja uma seleção e os fármacos atuem todas as células: do tumor e saudáveis.

São poucos os medicamentos que apresentam alguma seletividade, ainda que mínima, e ainda não se sabe muito sobre eles. Esses fármacos exibem, de modo geral, estreitas janelas terapêuticas, que são a margem de dosagem do fármaco que causa o efeito esperado no organismo.

As diferenças entre as doses que produzem o efeito antitumoral e a toxicidade são bastante pequenas. Com isso, é comum o tratamento ocasionar muitos efeitos colaterais. O teste farmacogenético pode ajudar a identificar a dosagem e medicamentos mais apropriados para ter um efeito mais rápido e diminuir esses efeitos colaterais.

A quimioterapia pode acarretar em:

- Queda do cabelo, que pode ser total ou parcial e leva geralmente de 14 a 21 dias;

- Diarreia em maior ou menor intensidade;

- Feridas parecidas com aftas na boca, estômago e intestino;

- Irritação nas paredes do estômago e intestino, causando enjoo e/ou vômitos;

- Hiperpigmentação - escurecimento da pele quando exposta aos raios solares, principalmente nas dobras das articulações, nas unhas e no trajeto das veias;

- Anemia, leucopenia e trombocitopenia, pois alguns fármacos utilizados para combater as células tumorais também destroem células sadias do nosso organismo. As mais afetadas são as células do sangue, como os glóbulos brancos, que defendem nosso organismo de infecções, os glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio, e as plaquetas, que atuam na coagulação do sangue.

Quando as taxas sanguíneas diminuem, podem aparecer sintomas como cansaço aos pequenos esforços, falta de ar, palidez, febre, pintas avermelhadas na pele, manchas roxas, vermelhas e sangramentos.

Durante a quimioterapia e radioterapia, a imunidade fica mais baixa. Por isso, os pacientes oncológicos precisam ter um cuidado redobrado neste período de epidemia de Covid-19. Eles fazem parte do grupo de risco e estão mais suscetíveis às complicações respiratórias do vírus. Entretanto, mesmo em um período em que se aconselha o isolamento, é importante não abandonar o tratamento.

Estimativas de casos de câncer no Brasil em 2020

O INCA (Instituto Nacional de Câncer) lançou em fevereiro de 2020 algumas estimativas sobre incidências de caso ao longo do ano. A base para a construção desses indicadores são os números provenientes, principalmente, dos Registros de Câncer e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS).

Os cânceres que mais exigem atenção no Brasil são de Próstata e Mama. Os índices reafirmam a importância das campanhas de conscientização para prevenção. Em ambos os casos, realizar exames periodicamente pode identificar precocemente os tumores e fazer toda a diferença para a cura.

Referências: INCA , Saúde , artigo: REIS, M. Farmacogenética aplicada ao câncer. Quimioterapia individualizada e especificidade molecular. Medicina (Ribeirão Preto. Online), v. 39, n. 4, p. 577-586, 2006.