A ansiedade nada mais é do que um estado emocional de apreensão, ou seja, uma expectativa de que algo ruim aconteça e geralmente está acompanhada de uma série de reações físicas e mentais totalmente desconfortáveis ao indivíduo.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria afirma que a ansiedade é uma reação normal de basicamente todos seres humanos diante de situações que podem provocar medo, dúvida e até mesmo expectativa. No entanto, quando esses sentimentos persistem por longos períodos de tempo e passam a interferir de maneira negativa e direta nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser considerada um motivo real de preocupação.

Esse é na verdade o principal sintoma do transtorno da ansiedade generalizada – Também conhecida e chamada de TAG por profissionais da área. De acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, o distúrbio é caracterizado pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva.

 

Principais causas que levam a instalação do transtorno de ansiedade

O transtorno de ansiedade é algo um tanto quanto comum e usual, assim como acontece em muitas outras condições de saúde mental, não se sabe ao certo quais são as causas de desenvolvimento desse distúrbio.

Porém, no artigo “Relação entre estressores, estresse e ansiedade”, psicólogos e psiquiatras acreditam que o transtorno de ansiedade esteja diretamente relacionado a uma série de neurotransmissores que ocorrem naturalmente em nosso cérebro, como a dopamina, norepinefrina e serotonina, por exemplo.

Além disso, é possível que um conjunto de fatores possam estar envolvidos nas razões pelas quais um indivíduo possa vir a desenvolver e apresentar esse tipo de transtorno, entre eles a genética e também fatores externos, como estresse do dia a dia e a qualidade de vida da pessoa.

 

Sintomas apresentados por quem possui transtorno de ansiedade

O principal sintoma do paciente com transtorno de ansiedade é a presença quase que permanente de preocupação ou tensão, mesmo quando há poucos ou nenhum motivo para essa condição. As preocupações normalmente costumam passar de um problema para outro, como questões familiares, relacionadas ao trabalho, ou então possuírem os mais diversos cunhos.

Mesmo quando as pessoas com esse transtorno possuem consciência de que suas preocupações e/ou então medos são mais fortes do que realmente precisavam ser, elas ainda possuem extrema dificuldade no que diz respeito a controlar essas reações.

Outros sintomas apresentados por quem possui transtorno de ansiedade são:

  • Grande dificuldade de concentração;
  • Extrema sensação de fadiga;
  • Alto grau de irritabilidade;
  • Dificuldades em adormecer e/ou então permanecer dormindo por um determinado período de tempo;
  • Sensação de inquietação;
  • Se assusta de maneira fácil e frequente;

Além das preocupações e dos altos níveis de ansiedade, diversos sintomas físicos tendem a se manifestar na pessoa ansiosa. Entre eles estão a alta tensão muscular, dores de cabeça sem causa aparente, tremedeiras incessantes e problemas do trato digestório, como náuseas, vômitos, gastrite e até mesmo diarreia.

 

Transtornos de ansiedade podem evoluir e ter efeito direto na saúde mental das pessoas

No geral, os transtornos de ansiedade respondem muito bem ao tratamento psicológico especializado, porém quando não tratados de maneira adequada podem evoluir para uma outra série de transtornos mentais, são eles:

  • Transtorno do Pânico;
  • Fobia Social;
  • Estresse Pós-Traumático;
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo;
  • Distúrbio de Ansiedade Generalizada.

Transtorno do pânico: Um estudo publicado na Revista de Psiquiatria do estado do Rio Grande do Sul demonstra que essa síndrome se caracteriza pela ocorrência de frequentes e inesperados ataques de pânicos nos indivíduos atingidos por ela. Os ataques de crise e pânico consistem basicamente em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de sintomas específicos como taquicardia, perda de foco visual e dificuldade de respirar.

Fobia social: Um estudo comparativo de duas modalidades terapêuticas mostra que esse tipo de fobia causa ansiedade intensa e persistente relacionada a uma determinada situação social. Pode ser relacionada a situações de desempenho em público ou então em situações de interação social. A pessoa com esse tipo de fobia, pode temer que os outros percebam seu nervosismo através do tremor, suor, rubor e até mesmo alterações de voz. A fobia social geralmente leva as pessoas a evitar situações sociais e um certo sofrimento antecipado. A pessoa pode também, por exemplo, evitar comer, beber, escrever e até conversar em público com medo que percebam seu nervosismo.

Estresse pós-traumático: Um artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria evidencia que esse tipo de ansiedade faz com que o indivíduo desenvolva um estado ansioso com expectativa recorrente de reviver uma experiência que tenha sido muito traumática. Por exemplo, após ter sofrido um assalto, a pessoa fica com medo de ser vítima novamente, de sair na rua e de ter pesadelos com essa situação. Normalmente após um evento traumático a ansiedade logo diminui sem maiores consequências, porém em casos extremos os sintomas persistem por mais tempo, ou então reaparecem depois de determinado período, fazendo com que o indivíduo desenvolva esse tipo de transtorno de ansiedade.

Transtorno obsessivo compulsivo: O artigo “Transtorno obsessivo-compulsivo”, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, demonstra que esse estado causa grande sofrimento à pessoa. Obsessões são pensamentos, imagens ou ideais que normalmente invadem a consciência das pessoas. Há uma série de exemplos do TOC, como dúvidas que sempre retornam – se trancou a porta, se deu comida para o cachorro, ou então fantasias de fazer algo que considera errado – machucar e/ou xingar alguém.

As compulsões são atos repetitivos que tem como função tentar aliviar uma ansiedade trazida pelas obsessões, sendo assim, é comum uma pessoa lavar a mão muitas vezes para tentar aliviar uma ideia recorrente de que está suja, ou verificar diversas vezes se a porta está fechada, por exemplo.

Distúrbio de ansiedade generalizada: De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), o distúrbio de ansiedade generalizada é classificado como uma patologia sendo oriunda do contexto da modernidade. Pesquisadores de Taubaté, São Paulo, chegaram à conclusão de que esse estado de ansiedade e preocupação excessiva é uma extensão do simples estado de ansiedade. Os indivíduos diagnosticados com esse distúrbio normalmente se apresentam irritados, com dificuldades de concentração, alto grau de inquietação, além de fadiga e humor totalmente deprimido.

Evidências científicas relatadas em uma pesquisa publicada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, em 2005, sugerem que a melhor maneira de oferecer tratamento a pessoas que apresentem algum distúrbio de ansiedade é a combinação de psicoterapia e farmacoterapia.

O teste farmacogenético é uma excelente ferramenta que pode auxiliar muito no tratamento farmacológico dos transtornos de ansiedade, conheça mais sobre os testes aqui blog.gntech.med.br/testes-farmacogeneticos-por-que-fazer/.

Portanto se você apresenta algum sintoma, se sente ansioso sem causa aparente ou conhece alguém que esteja na mesma situação, busque auxílio especializado, não permita que um simples sentimento ansioso vire um verdadeiro transtorno.


REFERÊNCIAS

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