Nos últimos anos, houve um aumento de 46,7% no número de cirurgias bariátricas realizadas no Brasil. Além da perda significativa de peso, a cirurgia bariátrica também traz benefícios relacionados às doenças associadas à obesidade, com melhoria e cura de doenças como: hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória, diabetes e colesterol alto.

Essa cirurgia altera a anatomia do trato gastrointestinal e a forma como o organismo absorve alguns medicamentos. Por isso, apesar dos benefícios, é preciso saber que ela traz algumas consequências para o funcionamento do corpo.

A técnica mais utilizada no Brasil é do Bypass gástrico com reconstrução em Y de Roux. É realizada uma redução no volume do estômago com um desvio do duodeno e parte do intestino delgado. Isso reduz a superfície de absorção do intestino e muda o pH do estômago, interferindo na forma como remédios tomados via oral são dissolvidos e absorvidos pelo corpo.

Além da limitação na absorção dos medicamentos, alguns medicamentos de liberação prolongadas podem não ter tempo suficiente para fazer efeito. Isso porque o tempo de trânsito da medicação no intestino é alterado após a cirurgia bariátrica.

Antidepressivos

A cirurgia bariátrica afeta a absorção de alguns antidepressivos, especialmente os inibidores de receptação de serotonina. Isso pode ocasionar uma piora dos sintomas depressivos.

Portanto, é necessário ter um acompanhando após a cirurgia quando a pessoa utiliza antidepressivos.

Hormônio de tireoide

Para pessoas que fazem uso de hormônio de tireoide, também pode ser preciso reavaliar a dosagem após a cirurgia bariátrica. Como a dose é calculada por peso, é possível que deva ser reduzida com a operação.

Porém, estudos indicam que há uma redução na absorção do hormônio. Assim, só o acompanhamento profissional poderá avaliar o ajuste necessário no tratamento.

Antibióticos

A absorção de antibióticos pode ser muito comprometida com a cirurgia bariátrica, afetando a eficácia desses medicamentos no combate a infecções. É importante informar ao médico qual cirurgia foi realizada para uma escolha adequada de antibiótico.

Se o quadro infeccioso não melhorar ou até piorar, o médico deve ser avisado o quanto antes.

Pílula anticoncepcional

Mulheres em idade fértil devem discutir qual o método contraceptivo mais indicado, pois a cirurgia tem potencial de afetar a eficácia da pílula anticoncepcional.

Engravidar no primeiro ano após a cirurgia não é considerado seguro, pois nessa fase existe uma grande perda de peso materna, que pode prejudicar o desenvolvimento fetal.

Mesmo após 10 anos da legalização da cirurgia bariátrica no Brasil, não é possível observar um padrão de alteração na absorção e desempenho dos medicamentos após a operação. É preciso que níveis plasmáticos da droga, marcadores laboratoriais e desfechos clínicos sejam monitorados continuamente antes e após a cirurgia, para que não haja risco de falha terapêutica ou intoxicações que prejudiquem o tratamento.

Referências:

Cintia Cercato , Artigo: Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica roux-em-y: revisão sistemática do perfil de absorção de medicamentos .