O Novembro Azul é dedicado à conscientização sobre a prevenção e combate ao câncer de próstata. O câncer de próstata é um dos mais prevalentes no mundo e aflige principalmente homens a partir de 65 anos, que representam 75% dos casos mundiais, sendo então considerado um câncer da terceira idade.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2020, no Brasil, é de 65.840 novos casos, o que corresponde a uma incidência estimada de 29,2% dos casos de câncer em homens.

A doença é silenciosa e não costuma apresentar sintomas significativos nos estágios iniciais. Soma-se a isso o comportamento masculino de usualmente evitar consultas médicas rotineiras e temos uma evolução do quadro que poderia ser evitada com exames preventivos.

Fatores de risco para desenvolver câncer de próstata

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga, perto da base do pênis, sendo responsável pela produção de componentes do sêmen. O câncer de próstata normalmente não dissemina para outros órgãos, visto que apresenta um crescimento lento (leva em média 15 anos para atingir 1 cm³). Entretanto, em alguns casos, o câncer de próstata pode apresentar um crescimento acelerado podendo metastizar nos ossos, linfonodos, fígado, pulmão, entre outros órgãos.

Todos os homens apresentam risco de desenvolver câncer de próstata, mas a média é de 1 a cada 9 homens (0,11%). Alguns fatores estão associados a um aumento na probabilidade de desenvolver a enfermidade:

- idade (incidência maior após os 50 anos),

- homens com histórico familiar (fatores hereditários),

- excesso de gordura corporal,

- exposição a substâncias nocivas, como aminas aromáticas (comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio), arsênio (usado como conservante de madeira e como agrotóxico), produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, fuligem e dioxinas.

Entenda mais sobre a incidência do câncer de próstata com o vídeo do Dr. Drauzio Varella e o porquê de precisarmos alertar sobre esse tema durante o Novembro Azul:

Sintomas do câncer de próstata

O número de óbitos associado ao câncer de próstata, em 2017, foi de 13,4% do total de mortes procedentes de câncer em homens no Brasil, atrás apenas do câncer de Traqueia, Brônquios e Pulmões (14%) (INCA, 2020). Este alto número pode ser associado ao fato de o câncer da próstata ter uma evolução silenciosa.

A doença não apresenta sintomas ou o paciente possui sintomas comumente associados ao envelhecimento. Por exemplo, dificuldade de urinar, diminuição do jato de urina e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Na fase avançada do câncer de próstata, o paciente pode desenvolver, em situações graves, infecção generalizada ou insuficiência renal. Com o agravamento do quadro, o paciente pode ir a óbito.

Novembro azul: prevenção e detecção precoce do câncer de próstata

A alta estimativa de incidência de câncer de próstata para 2020, no Brasil, está associada a melhora dos métodos de detecção e informação sobre a doença. A detecção precoce busca identificar o tumor em sua fase inicial, aumentando assim as chances de tratamento. Por isso, a conscientização durante o Novembro Azul é tão importante.

Os métodos de detecção envolvem os exames de toque retal e dosagem do antígeno prostático específico (PSA) no sangue. Esses exames devem ser realizados de forma periódica acima dos 45 anos, além de pessoas que apresentam os sinais clínicos da doença.

O toque retal possibilita ao médico avaliar a próstata, através do contato direto, e assim ser possível identificar a presença de nódulos e tecidos endurecidos. PSA é um marcador tumoral utilizado para detectar ou avaliar a evolução do câncer de próstata; entretanto, em alguns casos, mesmo na presença de tumores, os níveis de PSA permanecem inalterados ou pacientes podem apresentar níveis altos em condições não cancerosas, e por isso, não deve ser utilizada como forma diagnóstica isoladamente.

Exames de imagem são também requeridos em casos suspeitos como forma de visualização da região primária do tumor, para auxiliar biópsias, identificar possíveis casos de metástase, além de auxiliar o médico na escolha da melhor forma de tratamento. Os exames de imagem mais utilizados são ultrassonografia transretal, tomografia computadorizada, ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons e cintilografia óssea.

A confirmação do diagnóstico é realizada através da retirada de amostras de tecido da glândula, uma biópsia, para diagnosticar a patologia do tumor.

O tratamento do câncer de próstata

O tratamento do câncer de próstata varia de acordo com a localização e estágio da doença, além da idade e fatores de risco de cada indivíduo. Após a avaliação e alocação do paciente em seu respectivo grupo de risco, o tratamento deve ser acordado entre médico e paciente após a exposição dos malefícios e benefícios de cada método.

O tratamento pode ser local (focado em uma área específica) ou sistêmico (todo o corpo). Para doenças localizadas (apenas na próstata) recomenda-se vigilância ativa (observar e esperar o momento certo para tratar) ou cirurgia e radioterapia (tratamento local).

Nos casos de disseminação local (próstata e áreas adjacentes), radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal (tratamento sistêmico) têm sido utilizados.

Nos casos de câncer metastático, o tratamento mais indicado é a terapia hormonal. E para os pacientes que apresentam expectativa de vida de cinco anos ou menos, apenas a observação (tratar os sintomas antes da manifestação) é recomendada. Outros métodos como quimioterapia e imunoterapia são também empregados e avaliados caso a caso. O tratamento possui alguns efeitos colaterais conhecidos e normalmente temporários, entre eles destacam-se a disfunção erétil e retenção e/ou incontinência urinária. O aparecimento destes ou outros sintomas devem ser reportamos ao médico.

Teste farmacogenético para guiar o tratamento oncológico

O teste farmacogenético é um exame que analisa como os genes do paciente interferem em fatores como metabolismo, resposta e toxicidade dos medicamentos. Quando falamos de tratamento oncológico, esse exame pode ser um grande aliado na escolha da estratégia terapêutica, busca uma prescrição com menos efeitos colaterais e mais chances de eficácia.

No Brasil, a GnTech é pioneira na realização de testes farmacogenéticos. Entre seu catálogo, o TotalGene® e o OncoGene® analisam medicamentos utilizados no tratamento oncológico.

O TotalGene® analisa 60 genes e 172 fármacos, abrangendo, além da Oncologia, medicamentos das áreas de Psiquiatria, Cardiologia, Infectologia, entre outras. É uma opção mais completa e que pode guiar diversos tratamentos ao longo da vida.

Já o OncoGene® é um exame focado no tratamento oncológico, analisando 27 fármacos e 12 genes. Entre os medicamentos estão analgésicos, antieméticos, e imunossupressores.

Clique e saiba mais sobre os testes farmacogenéticos.

Referências

BEZERRA, LS., et al. Impacts of Cytochrome P450 2D6 (CYP2D6) Genetic Polymorphism in Tamoxifen Therapy for Breast Cancer. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia/RBGO Gynecology and Obstetrics, v. 40, n. 12, p. 794-799, 2018.

BROOKS, JD., et al. CYP2D6 phenotype, tamoxifen, and risk of contralateral breast cancer in the WECARE Study. Breast Cancer Research, v. 20, n. 1, p. 149, 2018.

COELHO, AS., et al. Hereditary predisposition to breast cancer and its relation to the BRCA1 and BRCA2 genes: literature review. RBAC, v. 50, n. 1, p. 17-21, 2018.

DANTAS, ELR., et al. Genética do câncer hereditário. Rev Bras Cancerol, v. 55, n. 3, p. 263-9, 2009.

DELLIS, A., et al. Genito-Urinary Cancer Group (HCUCG), Management of advanced prostate cancer: A systematic review of existing guidelines and recommendations. Cancer Treatment Reviews, 2018.

DEVITA, VTT; LAWRENCE, TS; ROSENBERG, SA. Cancer: Principles, Practice of Oncology. Lippincott Williams & Wilkins, v. 6, p. 1092-1161, 2015.

GOETZ, MP., et al. Clinical pharmacogenetics implementation consortium (CPIC) guideline for CYP2D6 and tamoxifen therapy. Clinical Pharmacology & Therapeutics, v. 103, n. 5, p. 770-777, 2018.

HOWLADER, N., et al. Cancer Statistics Review, 1975-2014. National Cancer Institute. Bethesda, MD. 2017.

INCA